quarta-feira

Curta de Monet


terça-feira

Noosfera

«Descemos a um ponto tal que a reafirmação do óbvio é o primeiro dever dos homens inteligentes» George Orwell

segunda-feira

Mais uma razão para dizer Basta!


"A PSP de Braga apreendeu hoje numa feira de livros de saldo alguns exemplares de um livro sobre pintura. A polícia considerou que o quadro do pintor Gustave Courbet, reproduzido nas capas dos exemplares, era pornográfico, adiantou uma fonte da empresa livreira." (23-02-2009)

Napoleão planeava as suas guerras estudando a história do país que ia invadir e partindo do princípio que esse país se iria defender. Temístocles chegou mesmo a consultar o oráculo muito antes da batalha de Salamina onde destruiu o tal império de que a pitonisa falava. Está por fazer o rol das guerras que se ganharam pela cultura e as que se perderam pela ignorância.

sábado

Teoria do Achismo


Em relação ao caso Freeport, eu acho que não andamos a perspectivar bem as coisas. Eu acho.
Eu acho que o problema não é Sócrates nem é o Freeport. É tudo o que ambos representam.

sexta-feira

Os Tempos Modernos


«Eu, em relação aos sindicatos, é como a primeira camisa que vesti: não me interessa nada», frisou José Lello, em declarações à Agência Lusa.

quarta-feira

terça-feira

Curta de Magritte


O império das luzes II

Música para Amanhã


Para você ganhar belíssimo Ano Novo

cor do arco-íris, ou da cor da sua paz

Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido (mal vivido talvez ou sem sentido)

Para você ganhar um ano não apenas pintado de novo

remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ser

novo até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior)

novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,

mas com ele se come, se passeia, se ama,

se compreende, se trabalha

Você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita

não precisa expedir nem receber mensagens

( planta recebe mensagens? passa telegramas?)

Não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta.

Não precisa chorar arrependido pelas besteiras consumidas

nem parvamente acreditar que por decreto de esperança

a partir de janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade

recompensa,justiça entre os homens e as nações

liberdade com cheiro e gosto de pão matinal

direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome

você, meu caro

tem de merecê-lo

tem de fazê-lo novo

eu sei que não é fácil, mas tente

experimente, consciente.

É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira


Toda a gente quer compreender a arte . Porque não tentam compreender as canções de um pássaro? Porque razão se ama a noite, as flores, tudo em nosso redor, sem que o queiramos compreender a toda a força? Um artista cria porque tem que criar, ele próprio é apenas um pedacinho insignificante do mundo e não lhe deve ser concedida mais atenção do que a muitas outras coisas que nos proporcionam alegria no mundo, embora não as consigamos explicar .
Pablo Picasso






Living History


No princípio era a Rádio. Depois, veio o Video que killed the radio star. Agora, o Youtube mata a video star.

sábado

Inverno




É com as vozes que o silêncio ganha.
Herberto Helder ( Teoria sentada)

quinta-feira

Colaborações


Um pouco mais de sol – eu era brasa.
Um pouco mais de azul – eu era além.
Mário de Sá-Carneiro, «Quase»




Os círculos apertam-se contra a rigidez das horas
e eu vejo, concentricamente, que nunca saberei viver.

Tento soerguer-me
aparecer-te na soleira da porta
com a dignidade de quem vai sair de casa
para apanhar as flores vermelhas das romãzeiras
(e tas trazer, como quem devolve à rosa a rosa que há nela)
mas sucumbo perante a lisura da superfície da água
a rugosidade da porta de madeira que acaricio
o espanto de tudo não ser livre.

Perco-me dentro disto que não defino
e que quase era brasa, quase era além
quase astro a incandescer o céu.

Uma aflição ocupa este corpo devoluto.

Os dias pousam na vida sem a tocar, como uma lente,
e a brevidade de todas as coisas
toca-nos com a sua lupa fria.

Margarete Rodrigues

segunda-feira

Curta de Monet


O Homem, Animal Irracional


O homem é um animal irracional, exactamente como os outros. A única diferença é que os outros são animais irracionais simples, o homem é um animal irracional complexo. É esta a conclusão que nos leva a psicologia científica, no seu estado actual de desenvolvimento. O subconsciente, inconsciente, é que dirige e impera, no homem como no animal. A consciência, a razão, o raciocínio são meros espelhos. O homem tem apenas um espelho mais polido que os animais que lhe são inferiores. (...) O homem não sabe mais que os outros animais; sabe menos. Eles sabem o que precisam saber. Nós não.
Fernando Pessoa

terça-feira



A persistência confusa da minha subjectividade objectiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um eléctrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-me para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei á secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...
Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã...
Quando era criança o circo de domingo divertia-me toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância...
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e práctico
Serão convocadas por um edital...
Mas por um edital de amanhã...
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...
Por hoje, qual é o espectáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espectáculo...
Antes, não...
Depois de amanhã terei a pose publica que amanhã estudarei.
Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
Sim, talvez só depois de amanhã...
O porvir... Sim, o porvir...
Álvaro de Campos (1928)


O Rapaz Que Queria Ser Um Livro


T adormeceu com o desejo de ser um livro.
Um livro… um livro com pernas e olhos e a sorrir, com capa e com folhas que se pudessem ter nas mãos e passear entre os dedos, e letras, e o cheiro das letras e das folhas e as coisas lá dentro… um prado verde dentro de um bosque ainda mais verde de árvores antigas de um meio dia de Junho e caminhos… muitos caminhos da cor da terra que os come e os alimenta e lá ao fundo…lá ao fundo,um muro. Um muro e muito musgo e mais verde em farrapos a cobrir o granito já gasto e quedo, quase escondido, de atalaia atrás de uma velha e frondosa árvore de quem já ninguém lembrava o nome e uma tabuleta que dizia proibida a entrada a quem não andar espantado de existir. Entrou.
Depois, quando acordou, viu que não podia ser um livro, aquele livro. Faltavam-lhe as duas últimas páginas.