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Mais uma razão para dizer Basta!


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Teoria do Achismo
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Os Tempos Modernos
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Música para Amanhã
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido (mal vivido talvez ou sem sentido)
Para você ganhar um ano não apenas pintado de novo
remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ser
novo até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia, se ama,
se compreende, se trabalha
Você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita
não precisa expedir nem receber mensagens
( planta recebe mensagens? passa telegramas?)
Não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade
recompensa,justiça entre os homens e as nações
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal
direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome
você, meu caro
tem de merecê-lo
tem de fazê-lo novo
eu sei que não é fácil, mas tente
experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade
segunda-feira

Living History
quinta-feira
Colaborações

Mário de Sá-Carneiro, «Quase»
e eu vejo, concentricamente, que nunca saberei viver.
Tento soerguer-me
aparecer-te na soleira da porta
com a dignidade de quem vai sair de casa
para apanhar as flores vermelhas das romãzeiras
(e tas trazer, como quem devolve à rosa a rosa que há nela)
mas sucumbo perante a lisura da superfície da água
a rugosidade da porta de madeira que acaricio
o espanto de tudo não ser livre.
Perco-me dentro disto que não defino
e que quase era brasa, quase era além
quase astro a incandescer o céu.
Uma aflição ocupa este corpo devoluto.
Os dias pousam na vida sem a tocar, como uma lente,
e a brevidade de todas as coisas
toca-nos com a sua lupa fria.
Margarete Rodrigues
segunda-feira
O Homem, Animal Irracional
terça-feira
Um livro… um livro com pernas e olhos e a sorrir, com capa e com folhas que se pudessem ter nas mãos e passear entre os dedos, e letras, e o cheiro das letras e das folhas e as coisas lá dentro… um prado verde dentro de um bosque ainda mais verde de árvores antigas de um meio dia de Junho e caminhos… muitos caminhos da cor da terra que os come e os alimenta e lá ao fundo…lá ao fundo,um muro. Um muro e muito musgo e mais verde em farrapos a cobrir o granito já gasto e quedo, quase escondido, de atalaia atrás de uma velha e frondosa árvore de quem já ninguém lembrava o nome e uma tabuleta que dizia proibida a entrada a quem não andar espantado de existir. Entrou.
Depois, quando acordou, viu que não podia ser um livro, aquele livro. Faltavam-lhe as duas últimas páginas.








